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Grupo Gangazumba promove discussão com licenciandos da UniFAI

Fundadora e membros do grupo falam sobre diáspora e identidade social afro

por Daniel Torres de Albuquerque




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Alunos e professores da UniFAI, junto aos membros do grupo Gangazumba
Foto de Arquivo Pessoal

Na noite da última terça-feira, dia 19 de abril, a Prof.ª Dra. Izabel Castanha Gil e a coordenadora dos cursos de licenciatura, Prof.ª Ma. Siomara Augusta Ladeia Marinho convidaram o grupo de cultura negra de Adamantina Gangazumba para expor sobre o tema “Diáspora e identidade social dos afrodescendentes”, sendo representado por três de seus mais de 40 membros.

O bate-papo teve início com a exposição sobre a atuação do Gangazumba em Adamantina e região, conduzido pela integrante e fundadora Rosemeire dos Santos da Cunha, e contou com a participação dos alunos do 5º termo de História e do 1º e 5º termos de Pedagogia. O evento faz parte da disciplina Cultura Afro-brasileira, ministrada pela professora Izabel.

Foi discorrido sobre a perda das matrizes africanas após o processo de escravização pelos colonizadores, que causou uma dispersão da cultura desses povos (diáspora). Em sua fala, Rosemeire destacou a importância e obrigatoriedade do ensino da cultura afro-brasileira e indígena, citando as leis nº 1.639/2003 e 11.645/2008. O grupo também realiza diversas ações que auxiliam no resgate étnico, por meio de atividades esportivas e culturais, como a prática da capoeira, samba de roda e Hip-Hop.

Criado por iniciativa da Rosemeire, o grupo nasceu como forma de resistência ao racismo, busca de equidade racial e valorização da cultura negra. Desde a infância, sua idealizadora passou por momentos constrangedores por causa de sua cor e de seu cabelo, sendo a criação do movimento, em 2018, uma forma de combater o racismo estrutural sem o uso do extremismo, levando os afrodescendentes à aceitação de quem eles são.

O nome Gangazumba também não foi escolhido sem motivo, ele faz referência a um príncipe congolês tio de Zumbi e preconizador do quilombo de Palmares, figura importante na história da resiliência negra no Brasil.

Outras duas integrantes expuseram sua participação e o processo de autoaceitação. Gisele Aparecida da Silva Santos é uma delas. A convidada falou sobre seu trabalho de transição capilar e como as pessoas podem se empoderar por meio dele. Contou também que sua opção por expor seu cabelo natural, além de ser um ato de amor por si e pelos antepassados, é uma forma de ser modelo para sua filha.

Participou também da conversa seu marido Everton Santos (branco), que fez apontamentos relevantes sobre o tema. A participante Solange Aparecida dos Santos também relatou seu ingresso no grupo, sendo mais recente. Ela é descendente de indígenas, portugueses e africanos e relatou sobre o trabalho de suas ancestrais, parteiras, e sobre o seu trabalho como enfermeira.

O momento fomentou interação entre os convidados e os estudantes. Inspirou curiosidades sobre o movimento e sua atuação, gerando perguntas e um amplo debate. Os universitários foram convidados a participarem de reuniões do grupo, pois o Gangazumba não segrega, ou seja, não negros que simpatizem com os seus ideais e buscam equidade racial, são bem-vindos.

Após os agradecimentos por parte dos convidados, foi encerrado o evento, ficando a sensação de esperança na luta pela equidade.

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